13 de março de 2026
A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) trouxe mudanças relevantes para o varejo farmacêutico ao ampliar a responsabilidade das empresas na gestão de riscos ocupacionais, incluindo, de forma mais clara, os riscos psicossociais relacionados à saúde mental e à organização do trabalho.
No ambiente das farmácias e drogarias, a norma chama atenção para fatores como pressão por metas, jornadas extensas, exposição constante ao público, conflitos no atendimento, responsabilidade técnica do farmacêutico e sobrecarga operacional — situações comuns à rotina do setor.
Segundo Viviane Alvarenga, diretora de Gente & Gestão da Febrafar e Farmarcas, a atualização da NR-1 não deve ser interpretada como uma medida punitiva. “Não se trata de criar um ambiente de preocupação, mas de estruturar melhor aquilo que muitas redes já fazem intuitivamente: cuidar das pessoas”, afirma.
A especialista ressalta que a norma reforça a necessidade de um gerenciamento de riscos contínuo, documentado e integrado à estratégia do negócio, indo além dos aspectos físicos do trabalho. “Para o varejo farmacêutico, isso significa evoluir para uma gestão mais completa da saúde ocupacional, incluindo fatores emocionais e organizacionais”, destaca.
O tema ganha ainda mais relevância diante do cenário nacional. Em 2025, o Brasil registrou o maior número da história de benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais, segundo dados do Ministério da Previdência Social. Ansiedade e depressão seguem entre as principais causas de afastamento do trabalho.
No varejo farmacêutico, esses riscos se intensificam pela combinação de atendimento direto a pacientes em situação de vulnerabilidade, exigências regulatórias rigorosas, metas comerciais e jornadas prolongadas.
“O setor reúne fatores sensíveis que exigem atenção especial das lideranças. A NR-1 surge para fortalecer a profissionalização da gestão dos riscos psicossociais e incentivar práticas preventivas”, observa Viviane.
O Conselho Regional de Farmácia do Tocantins (CRF-TO) orienta que farmacêuticos responsáveis técnicos e proprietários de farmácias compreendam que a NR-1 não exige soluções complexas, mas sim organização, planejamento e registro das ações já existentes.
Atualização do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR)
Identificação e mapeamento dos riscos psicossociais
Envolvimento da liderança e dos gestores
Registro e acompanhamento das ações preventivas
O farmacêutico pode colaborar diretamente com a gestão ao:
Muitas farmácias já desenvolvem práticas de cuidado com as equipes. A NR-1 reforça a necessidade de formalizar, registrar e monitorar essas ações, fortalecendo a prevenção e reduzindo afastamentos por adoecimento.
“Cuidar da saúde emocional não é apenas uma exigência normativa, mas uma estratégia de sustentabilidade do negócio e valorização do profissional farmacêutico”, pontua Viviane.
O CRF-TO reforça que o farmacêutico, como profissional da saúde e responsável técnico, tem papel essencial na promoção de ambientes de trabalho saudáveis, contribuindo para a segurança dos serviços farmacêuticos e para a qualidade da assistência prestada à população.
Em caso de dúvidas sobre responsabilidades técnicas, boas práticas ou adequação às normas de saúde e segurança do trabalho, o profissional pode buscar orientação junto ao Conselho.
Fonte/imagem: Guia da Farmácia