17 de julho de 2026

Brasil avança na produção nacional de remédio contra HIV

Brasil avança na produção nacional de remédio contra HIV

O Brasil está mais próximo de produzir integralmente um dos principais medicamentos utilizados no tratamento do HIV no Sistema Único de Saúde (SUS). A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluiu o processo de transferência de tecnologia para fabricar o dolutegravir no país, um avanço que fortalece a autonomia nacional na produção de medicamentos estratégicos e reduz a dependência de importações.

O dolutegravir é atualmente utilizado por mais de 770 mil pessoas atendidas pelo SUS e é distribuído gratuitamente em todo o país. A fabricação nacional deve garantir maior segurança no fornecimento do medicamento, além de fortalecer a capacidade produtiva da indústria farmacêutica brasileira.

O acordo de transferência de tecnologia foi firmado em 2020 entre a ViiV Healthcare e o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz). Desde então, a instituição realizou adequações em sua estrutura, adquiriu equipamentos, capacitou profissionais e implementou todas as etapas necessárias para iniciar a produção nacional.

De acordo com a Fiocruz, o processo foi concluído e a distribuição do medicamento produzido no Brasil depende apenas da autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Três lotes já foram fabricados e aprovados nas etapas internas de validação, estando prontos para fornecimento ao SUS após a liberação regulatória.

Desde 2022, Farmanguinhos é responsável pela logística e distribuição do dolutegravir fornecido ao sistema público de saúde. Nesse período, mais de 739 milhões de comprimidos foram distribuídos. Em 2025, o instituto também passou a realizar as análises laboratoriais de controle de qualidade do medicamento.

O projeto prevê ainda uma nova etapa, com a produção nacional da associação entre dolutegravir e lamivudina, esquema terapêutico amplamente utilizado por pessoas que vivem com HIV. A expectativa é que essa fabricação tenha início no próximo ano.

Recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 2019 como tratamento preferencial de primeira e segunda linha para pessoas vivendo com HIV, o dolutegravir atua bloqueando a enzima integrase, impedindo a multiplicação do vírus nas células de defesa do organismo. O medicamento contribui para reduzir a carga viral a níveis indetectáveis, preservar o sistema imunológico e diminuir o risco de progressão para a aids.

A conclusão da transferência de tecnologia representa um avanço para a saúde pública brasileira, ao ampliar a autonomia tecnológica do país e garantir maior segurança na oferta contínua de um medicamento essencial para milhares de pacientes atendidos pelo SUS.

Fonte: CFF