18 de agosto de 2026
As procurações utilizadas para a retirada de medicamentos por terceiros no Farmácia Popular ainda geram dúvidas entre equipes de atendimento e gestores. Especialistas alertam que, mais do que conhecer os modelos aceitos, é fundamental adotar processos de conferência documental para garantir segurança jurídica e evitar glosas em auditorias.
Segundo Guilherme Mesquita, CEO da Regulariza Farma, as procurações seguem as regras previstas no Código Civil Brasileiro, e o programa exige apenas que o documento contenha poderes específicos ou plenos poderes para a retirada de medicamentos.
Embora o reconhecimento de firma receba atenção especial, o principal cuidado das farmácias deve estar na conferência das informações constantes nos documentos. A orientação é verificar se os dados do paciente e do representante legal correspondem exatamente aos documentos apresentados.
De acordo com o especialista, cerca de 90% das inconsistências observadas em auditorias estão relacionadas a erros cadastrais, como divergências de nome, CPF ou RG.
Tanto a procuração pública quanto a particular podem ser utilizadas, desde que atendam aos requisitos legais. No caso das procurações particulares, é possível utilizar assinatura com reconhecimento de firma ou assinatura eletrônica por meio do GOV.BR.
Já documentos de curatela e interdição seguem regras judiciais próprias e, por isso, não precisam apresentar expressamente poderes específicos para o Farmácia Popular.
A capacitação contínua das equipes é apontada como uma das principais estratégias para reduzir inconsistências. Segundo Mesquita, os atendentes não precisam ter formação jurídica, mas devem seguir um processo padronizado de conferência documental.
O foco deve estar na análise correta dos dados cadastrais e das informações presentes na documentação apresentada.
Além da conformidade legal, a forma como a farmácia se comunica com o cliente também é importante. Quando houver alguma inconsistência documental, a recomendação é orientar o paciente de maneira clara sobre as correções necessárias, evitando conflitos e preservando o relacionamento com o consumidor.
A retirada de medicamentos baseada apenas no grau de parentesco ainda ocorre em algumas localidades, mas pode representar risco para a farmácia durante auditorias.
O especialista reforça que é necessário haver documentação adequada e que a venda deve estar corretamente vinculada ao paciente, evitando registros em nome do procurador.
Para reduzir riscos, as farmácias devem adotar rotinas padronizadas de conferência documental. Entre os principais pontos estão a validação dos dados do paciente e do representante, a verificação dos poderes previstos na procuração, a conferência de assinaturas eletrônicas, quando houver, a análise da validade do documento e a organização adequada dos arquivos.
Segundo Mesquita, a maior parte dos problemas identificados em auditorias está relacionada a falhas na conferência das informações e não à autenticação realizada pelos cartórios.
Fonte: Panorama Farmacêutico