20 de maio de 2026

Brasil desenvolve primeiro fitoterápico à base de quebra-pedra para distúrbios urinários

Brasil desenvolve primeiro fitoterápico à base de quebra-pedra para distúrbios urinários

O Brasil alcançou um marco importante na saúde pública com o desenvolvimento do primeiro medicamento fitoterápico produzido no país a partir da espécie vegetal Phyllanthus niruri, conhecida popularmente como quebra-pedra. O produto é indicado como auxiliar no aumento do fluxo urinário e adjuvante no tratamento de queixas urinárias.

Os lotes piloto do medicamento foram apresentados pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e Fiocruz, como resultado de uma parceria voltada à pesquisa, inovação e valorização da biodiversidade brasileira. A iniciativa integra um Acordo de Cooperação Técnica entre as instituições e representa mais um passo para a submissão regulatória do produto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O desenvolvimento foi realizado por Farmanguinhos/Fiocruz, no âmbito do projeto Fitoterápicos, com coordenação técnica do MMA e implementação do PNUD. Foram investidos R$ 2,4 milhões pelo Global Environment Facility (GEF) em infraestrutura, estudos laboratoriais e de estabilidade.

Além do avanço científico, o projeto valoriza o conhecimento tradicional associado ao uso da quebra-pedra. A iniciativa seguiu o Marco Legal da Biodiversidade e contou com consentimento prévio informado da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME), garantindo o reconhecimento e a repartição justa de benefícios às comunidades envolvidas.

Embora a planta seja popularmente utilizada no tratamento de cálculos urinários, a indicação atual na Anvisa é como auxiliar no aumento do fluxo urinário. Estudos seguem em andamento para avaliar a ampliação da indicação para urolitíase.

O novo fitoterápico também se destaca por oferecer um produto farmacêutico padronizado, com controle de qualidade e segurança, reduzindo riscos associados ao uso de preparações caseiras sem controle adequado.

A iniciativa abre caminho para o desenvolvimento de novos medicamentos a partir da sociobiodiversidade brasileira e reforça a meta de incorporar 15 novos fitoterápicos ao Sistema Único de Saúde (SUS) até 2035, sendo dez deles a partir de espécies nativas.

Com informações do CFF