11 de maio de 2026

Casos recentes de erro em medicamentos reforçam papel essencial dos farmacêuticos

Casos recentes de erro em medicamentos reforçam papel essencial dos farmacêuticos

Nos últimos meses, dois casos de erro em medicamentos ganharam repercussão nacional e colocaram a segurança do paciente no centro do debate público. Em Manaus, a Polícia Civil concluiu que a morte de Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, ocorreu após a prescrição e administração inadequadas de adrenalina por via intravenosa; a médica responsável foi indiciada. Em Porto Alegre, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul indiciou uma técnica de enfermagem por aplicar, em um bebê de 1 ano, uma dosagem dez vezes maior do que a prescrita, o que levou a criança ao coma.

No caso Benício, a investigação apontou uma sequência de falhas na cadeia assistencial, desde a prescrição até a administração do medicamento, com impacto fatal. Já no episódio do bebê no Rio Grande do Sul, a apuração policial indicou que a prescrição médica estava correta, mas houve erro na etapa de administração. Os dois casos, embora diferentes, expõem o mesmo problema estrutural: a vulnerabilidade do processo de medicação quando faltam barreiras de segurança bem definidas.

A repercussão desses episódios ajuda a explicar por que o farmacêutico é peça central na saúde pública e na segurança hospitalar. O protocolo de segurança da Anvisa prevê a colaboração do farmacêutico na conciliação de medicamentos e na qualificação do uso de fármacos em transições de cuidado, justamente para reduzir riscos de erro. A própria Anvisa também orienta que eventos adversos e suspeitas de erro sejam notificados aos sistemas oficiais de vigilância.

Na prática, isso significa atuar antes que o dano aconteça: revisar prescrições, identificar interações, checar doses, monitorar medicamentos de alta vigilância, orientar equipes e apoiar protocolos de dupla checagem. É uma função que fortalece a prescrição segura e diminui a chance de que falhas humanas ou sistêmicas cheguem ao paciente.

Os casos recentes mostram que erro de medicamento não é um episódio isolado nem um problema restrito a uma categoria profissional. É uma falha de sistema. E, justamente por isso, a presença do farmacêutico nas equipes assistenciais deixa de ser acessória e passa a ser uma barreira essencial para proteger vidas.