7 de abril de 2026
A Anvisa anunciou, nesta segunda-feira (6), um plano de ação com novas medidas para prevenir riscos e reforçar o controle sanitário dos medicamentos injetáveis agonistas do receptor GLP‑1 — como semaglutida, tirzepatida e liraglutida, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras. O foco é combater irregularidades na importação de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) e na manipulação desses medicamentos por farmácias, protegendo a saúde da população.
Dados da Agência mostram a gravidade do cenário: apenas no segundo semestre de 2025 foram importados 130 kg de insumos, quantidade suficiente para cerca de 25 milhões de doses, volume incompatível com o mercado nacional. Em 2026, a Anvisa realizou 11 inspeções em farmácias de manipulação e importadoras, resultando na interdição de oito empresas por falhas técnicas e ausência de controle de qualidade.
Segundo o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, as medidas não visam proibir a manipulação, mas coibir o uso irregular, garantir qualidade, segurança e eficácia dos produtos. A Agência também relatou aumento de eventos adversos e de uso off label, inclusive para emagrecimento sem indicação clínica. Em fevereiro, foi emitido alerta sobre o risco de pancreatite associado a essas canetas.
Entre os riscos sanitários identificados estão produção sem receita individualizada, problemas de esterilização, falhas no controle de qualidade, uso de IFAs sem origem comprovada, uso indevido de nomes comerciais e venda de produtos sem registro. Desde janeiro, a Anvisa já publicou dez proibições envolvendo importação, comércio e uso de produtos irregulares com GLP‑1.
Nesse contexto, a importância do farmacêutico é central. Cabe a esse profissional assegurar o cumprimento das boas práticas de manipulação, avaliar a procedência e a qualidade dos insumos, garantir padrões rigorosos de esterilidade, orientar pacientes e profissionais de saúde e atuar na identificação e notificação de eventos adversos pelo sistema VigiMed. O farmacêutico é o elo fundamental entre a regulação sanitária e o uso seguro desses medicamentos na prática.
O plano da Anvisa está estruturado em seis eixos estratégicos:
Ao reforçar normas, fiscalização e comunicação, a Anvisa evidencia que a atuação técnica, ética e orientadora do farmacêutico é decisiva para garantir que os medicamentos agonistas de GLP‑1 sejam utilizados de forma segura, responsável e alinhada às exigências sanitárias.
Com informações da Anvisa
Imagem: Reprodução