1 de junho de 2026
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Saúde emitiram alertas rigorosos direcionados aos frequentadores de academias e profissionais de saúde sobre os perigos do uso da tadalafila como um estimulante de pré-treino. O fármaco, cuja venda exige prescrição médica, virou uma “moda” perigosa nas redes sociais sob a falsa promessa de potencializar o ganho de massa muscular.
Os órgãos reguladores enfatizam que o medicamento não possui aprovação sanitária para fins estéticos ou melhora de desempenho físico. Além disso, a sua inclusão clandestina em suplementos alimentares ou em formatos atrativos (como gomas de mastigar) constitui infração sanitária grave.
A popularidade da tadalafila no ambiente fitness baseia-se em um conceito distorcido sobre o relaxamento do endotélio (a camada interna dos vasos sanguíneos). Por ser um potente vasodilatador, usuários acreditam que o medicamento aumentaria o fluxo de sangue e nutrientes para os músculos durante a musculação, gerando o famoso pump (percepção de maior volume muscular).
No entanto, profissionais da saúde reforçam que não há qualquer embasamento científico que associe a tadalafila à hipertrofia ou ao aumento real de performance esportiva. Trata-se de um medicamento desenvolvido estritamente para o tratamento de três condições clínicas específicas:
Disfunção erétil (impotência sexual masculina).
Hiperplasia prostática benigna (aumento da próstata que dificulta a micção).
Hipertensão arterial pulmonar (uma doença rara e grave nos vasos dos pulmões).
O uso recreativo da substância por jovens saudáveis ignora os severos efeitos colaterais que o abuso pode provocar. Segundo dados de monitoramento das autoridades de saúde, o consumo indevido pode acarretar riscos fatais.
🚨 Principais riscos associados ao uso inadequado:
Hipotensão severa: Queda brusca da pressão arterial, especialmente perigosa e potencialmente fatal se o usuário consumir de forma conjunta medicamentos ou suplementos que contenham nitratos.
Complicações cardíacas: Risco aumentado de infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC) em indivíduos com predisposições não diagnosticadas.
Priapismo: Ereção prolongada e dolorosa por mais de 4 horas, que necessita de intervenção médica imediata para evitar danos irreversíveis e impotência permanente.
Dependência psicológica: Profissionais relatam que homens jovens começam a usar a droga para treinar e acabam desenvolvendo a crença de que só conseguem ter um bom desempenho sexual sob o efeito do comprimido.
A Anvisa tem intensificado a fiscalização contra farmácias de manipulação e empresas sem licença que comercializam misturas de tadalafila com suplementos. Por lei, essa substância jamais pode constar na lista de ingredientes de produtos categorizados como suplementos alimentares.
O Ministério da Saúde orienta a população a não consumir formulações sem receita e a denunciar canais que promovam a venda ilegal de medicamentos nas redes sociais, lembrando que a saúde não aceita atalhos perigosos.
Fonte: CFF